
Acordei mais ou menos. Olhei no espelho e me vi mais ou menos, e apesar disso tudo, houve uma repercussão de mais ou menos.
Coloquei uma roupa mais ou menos seguido por uma sandália mais ou menos. Usei meu batom mais ou menos.
Meu café da manhã foi mais o menos, e ao olhar para o céu, ele não estava tão bonito, como rotineiramente, e lá se via um mais ou menos.
O tempo era mais ou menos, isto é, alguns minutos eu jurava ter passado séculos, enquanto outros, voavam sem que eu notasse que do azul-cinza neblinoso do céu, se via um céu radiante, mas ainda assim estava mais ou menos. Meu dia foi mais ou menos.
Ouvi uma música mais ou menos, talvez Nickelback, talvez Creed, mais ou menos isso.
Encontrei amigos mais ou menos, à mais ou menos 17:30h quando o sol já estava se pondo. Decidimos, mais ou menos, ver o pôr-do-sol. Tingia o céu de mais ou menos laranja-arroxeado. E é claro que vocês imaginam o termo certo a descrevê-lo: Mais ou menos.
Então eu descobri que mais ou menos era a minha insatisfação, não com a vida, mas comigo.
E no meio dessa descoberta, ainda intercalada, havia outra descoberta que foi mais válida, pois cheirava ares de mudança:
Eu descobri que eu podia fazer MAIS do que eu fazia.
Do mais ou menos, retirei o menos, e hoje não vejo pôres-do-sol mais ou menos, não tenho uma vida mais ou menos, não tenho amigos mais ou menos. Mudei meu hábito de vida e readiquiri novos hábitos que fizeram eu tirar a ilusão de que minha vida era mais ou menos, e é claro que em torno dessa mudança, sigo minha vida, tentando viver mais, intensificá-la ainda mais e me reajustar conforme manda a música, querendo mais e mais, e não apenas me contentando com a limitação do menos.
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